8 de agosto de 2026

Faça a Festa!

Rodrigo Vilela criou um site para lançar a Supimpa Promoções e Eventos e assim conquistou seus primeiros clientes. Foto: Vandercy Jr.
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OFEREÇA SERVIÇOS DE BUFÊ, O INVESTIMENTO INICIAL É BAIXO E TEM BOM POTENCIAL DE RETORNO

Milton Correia Jr

Para empreender no segmento de festa não é necessário ter muito capital inicial. Mas é necessário ter talento para a cozinha ou saber gerenciar uma, ter bom trato com as pessoas e não se incomodar em trabalhar quando os outros se divertem. E nem precisa ser um chef sofisticado, se você souber fazer um prato bem feito e aliar a isso criatividade (e boa administração, é claro) sua empresa de serviços para festa já nasce com boas chances de prosperar.

É a história de Floro Cabral da Silva que teve a ideia de montar uma minilanchonete desmontável para oferecer o serviço em festa dos mais variados tipos. Há 15 anos, quando começou o negócio, o comum era oferecer barraquinhas. Cabral idealizou o projeto e, com a ajuda de terceiros, criou uma minilanchonete portátil – fácil de montar, desmontar e ser transportada –, que guarda em uma garagem da Vila Mazzei, bairro da zona norte de São Paulo.

Assim surgiu o bufê Free Way – uma mini-lanchonete que, montada no local da festa do cliente, oferece aos convidados, além do hambúrguer, também crepe, pizzas, pastéis, ou alguma outra preferência do contratante.

“Eu mesmo preparo os hambúrgueres com carne de primeira. Aliás, tudo o que sirvo é de primeiríssima qualidade e, por isso, tenho entre meus clientes artistas famosos, políticos e grandes empresários”, justifica.

O empresário garante que dá para ter um lucro razoável: “tudo está em saber comprar de atacadistas, ou até mesmo em supermercados que façam boas promoções”. Ele acredita que uma minilanchonete como a sua, em valores atuais, ficaria em torno de R$ 6 mil. Além disso, é preciso contar também com o auxílio de fornecedores terceirizados, bem como de funcionários free-lancers para ajudar a servir os convidados.

“Em 15 anos, o mercado de bufê cresceu muito, porém, a concorrência também aumentou. Hoje há outras minilanchonetes, mas a qualidade do meu produto e a minha experiência na área são fatores que pesam a meu favor. Ainda há espaço para novos empreendimentos, mas é preciso inovar, assim como eu fiz”, aconselha.

Também é possível ter bons lucros como fornecedor de grandes bufês. Seja agenciando garçons, músicos, oferecendo mobília, louça e talheres, serviço de manobristas, segurança, decoração, ou bolos de aniversário e casamento, como é o caso de Silvia Frandsen – um nome conhecido em Curitiba, que ganhou fama como fornecedora de bolos, doces e salgados de alta qualidade.

Hoje ela conta com uma cozinha especializada onde trabalham oito funcionários, além de eventuais temporários, necessários quando aumenta o pico da produção. Silvia vem de uma tradicional família de panificadores do interior de São Paulo, mas começou a atuar no ramo da alimentação por acaso, há dez anos, para ajudar na formatura de uma filha. Ofereceu-se para fazer bolos e doces para serem vendidos na escola e, a partir daí, não parou mais.

“Fazer doces e salgados para eventos e bufês é um negócio como outro qualquer. É preciso ter empresa aberta, funcionários com registro em carteira e seguir as estritas recomendações da vigilância sanitária. É uma atividade de extrema responsabilidade, pois nada pode comprometer a saúde e o bem-estar dos convidados. Por isso, temos de saber como armazenar e manusear alimentos com toda higiene e segurança”, explica.

Para ela, o segredo do seu sucesso está na qualidade do que prepara, é isso que a diferencia da concorrência. Mas não basta ter o talento, é preciso fazer cursos constantes de atualização e pesquisar novas receitas, para sempre oferecer novidades aos clientes.

“O profissional de doces e salgados deve estar a par de tudo o que é lançado no mercado pelas indústrias, buscando novos produtos que lhe permitam bons resultados. Ou seja, trabalhar com um alto grau de profissionalização, pois a responsabilidade e as cobranças aumentam ao longo do tempo”, ensina.

Para continuar crescendo, a empresária está estudando a possibilidade de terceirizar a produção dos doces mais simples, assegurando a qualidade dos mesmos, e focar sua atividade nos bolos e doces mais elaborados – seu principal diferencial.

De fato, qualidade é exigência primordial nessa área, especialmente se o serviço que você pensa em oferecer for de um chef de cuisine, cozinhando para convidados seletos na casa do cliente. Esse é o caso de Reinaldo Buri, há dois anos à frente do bufê Chef em Casa, em São Paulo.

Depois de trabalhar 15 anos na área de recursos humanos de grandes empresas, Buri resolveu mudar sua vida e ter um negócio próprio. Como gostava de cozinhar, foi fazer um curso de gastronomia no exterior, onde trabalhou em bons restaurantes. Quando voltou ao Brasil, continuou aprendendo com cozinheiros famosos. Foi quando teve a ideia de montar um bufê para eventos, almoços e jantares que valorizassem a alta gastronomia.

“O tipo de cliente para quem trabalho não sabe o que é crise e está disposto a valorizar quem presta um serviço diferenciado como o meu”, explica Reinaldo Buri.

Em dois anos de funcionamento, ele acredita que foram investidos cerca de R$ 100 mil. Praticamente todo o capital veio do faturamento do próprio negócio e viabilizou a compra de equipamentos de cozinha e festa.

“Reinvestimos parte do lucro, mas sempre comprando o básico, pois não é interessante imobilizar capital em equipamentos que podem ser fornecidos por terceiros”, explica.

Com a recente saída do sócio, Buri está num momento de repensar a empresa para expandir as atividades e conquistar mais clientes. “Gosto do que faço e estou no caminho certo, pretendo continuar com a minha atividade como empreendedor”, diz.

Enquanto alguns despertam para a vocação de empreender na área em uma segunda escolha profissional, outros, como Rodrigo Vilela, são precoces. Aos 13 anos Vilela já estava no universo das festas para crianças, trabalhando em barraquinhas armadas em eventos. Aos 18, já era gerente de bufê com funcionários sob seu comando.

Com 19 anos, achou que tinha experiência suficiente para ter o seu próprio negócio e partiu para a ação, fundando o serviço de bufê infantil Supimpa Promoções e Eventos. Para isso, em 2007 alugou uma pequena sala, que fez de escritório, e utilizou parte da casa dos pais, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, como depósito de pratos, talheres e outros utensílios utilizados nas festas.

“Embora tivesse muito pouca idade, já tinha seis anos de experiência no ramo, inclusive no cargo de gerência, e sabia lidar com clientes, empregados e fornecedores. Eu me sentia preparado, reunindo todas as condições para ser um empresário”, conta.

Suas primeiras providências foram criar um site e veicular anúncios da sua empresa. A partir daí chegaram os clientes e os primeiros eventos foram acontecendo.

“Uma dificuldade era não ter experiência anterior, mas me vali de amizades e consegui apoio de fornecedores e as coisas foram acontecendo naturalmente”, explica.

E de maneira bastante rápida. Em pouco tempo, já estava reinvestindo o lucro na compra de mais material.

“Foi quando passei a me preocupar em oferecer um diferencial e sair da mesmice das festas infantis. Conversava com os clientes e procurava saber o que eles realmente queriam, ouvindo sugestões”, revela.

Depois de um ano, a Supimpa deu uma deslanchada com a vinda de um sócio, Wendel Magri que, além da experiência no ramo de festas, também trouxe mais material (louças, toalhas e enfeites). Essa soma de esforços deu muito certo.

Vilela passou a focar nas vendas e no marketing e Wendel na organização dos eventos e as festas infantis deixaram de ser o foco principal (hoje representam 30%).

“O segredo do nosso sucesso está em tornar realidade os sonhos dos nossos clientes, fazendo eventos sob medida. Temos um departamento de criação que concretiza a ideia. Outra característica nossa é oferecer algo a mais, aquele diferencial que nos destaca da concorrência. Para isso, estamos sempre pesquisando e vendo o que está rolando no mercado, para irmos além”, esclarece.

Hoje, aos 21 anos, Vilela é proprietário de um bufê que tem em sua carteira clientes de todos os portes, inclusive grandes empresas. Ele se diz satisfeito com o modelo do negócio, que lhe permite sempre criar novidades em locais diferentes, fugindo da rotina.

“Em dois anos, passamos para um escritório bem maior, num amplo sobrado no bairro do Ipiranga e pretendemos comprar a nossa sede, bem como ampliar o número de clientes e funcionários”, adianta.

Ele afirma se sentir realizado e não se importa de perder parte dos finais de semana com sua atividade. “Tudo é questão de coordenar as atividades e com isso consigo encontrar amigos e fazer as coisas próprias da minha idade”.

Cesar Santos, assim como Rodrigo Vilela, começou sua trajetória cedo, com apenas 17 anos de idade, em 1982, fazendo pratos congelados a domicílio, e foi longe. O sonho de ter seu próprio restaurante foi alcançado em 1992, quando abriu o Oficina do Sabor.

Há dez anos, percebeu que poderia também aumentar sua renda com serviços de bufê, com a vantagem de já ter espaço, equipamentos e funcionários para isso.

Há muitos bufês pelo Brasil. Mas os que se especializaram em comida típica regional como o Oficina do Sabor, de Olinda-PE, são muito poucos.

“Descobri que havia um excelente nicho de mercado, pois a maioria dos bufês trabalha com pratos da cozinha internacional e nós oferecemos pratos da cozinha nordestina, e não só em Pernambuco. Sempre há quem prefira almoços, jantares, lanches e coquetéis com um cardápio que inclua as especialidades da terra. Isso encanta turistas e até mesmo visitantes do exterior. Por isso, sou convidado para realizar eventos em outros estados, inclusive em Brasília”, conta Cesar Santos.

“Minha vantagem é a de ter poucos concorrentes, e hoje meu nome sempre ser lembrado quando se fala em comida pernambucana”, explica.

Seu plano para o futuro consiste na separação das atividades do restaurante e do bufê, que contará com local próprio, atestando que os negócios vão bem.

Renato Reinas é outro que planeja seguir pelo mesmo caminho: separar as atividades do restaurante Vila Café, instalado no bairro do Morumbi, em São Paulo, do serviço de bufê a domicílio.

Apesar de ter o gosto pela gastronomia no sangue, herança da mãe, que dava cursos de culinária, patrocinada por fabricantes de eletrodomésticos, Reinas só tomou gosto pela atividade ao ir morar na Europa para estudar fotografia e ter trabalhado em restaurantes por lá.

Na volta ao Brasil, há três anos e meio, resolveu auxiliar sua mãe na condução do restaurante. Foi quando teve a iniciativa de montar um serviço de bufê a domicílio e ampliar as atividades.

Para tocar esse novo empreendimento, foi preciso investir cerca de R$ 140 mil na reforma do local e na compra de novos equipamentos.

A partir desse momento, o bufê passou a oferecer duas opções de serviço: o atendimento convencional, com um cardápio clássico, e um sob medida, com pratos mais requintados.

Segundo Reinas, o bufê vai indo muito bem. Além de eventos corporativos durante todo o ano, ele atende também festas, coquetéis e jantares particulares feitos conforme o gosto do cliente.

Para dar conta do recado, o empresário se ocupa agora em montar o espaço próprio para as atividades do bufê, integrando a lista de empreendedores que não se arrependem em investir no segmento, promissor, segundo asseguraram todos os entrevistados.