13 de agosto de 2026

MASSA FRESCA: A SAUDADE DA NONNA QUE VIROU PRATICIDADE NA GELADEIRA.

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Milton Correia Junior – Jornalista e redator

Família italiana, São Paulo, anos 50. Era sagrado: no sábado, a nonna amassava farinha com ovos, passava a massa no cilindro de manivela e colocava as tiras para secar no varal esticado no teto do quartinho da despensa, ao lado da cozinha. A massa fresca já estava pronta. Agora era só secar, para no dia seguinte ser fervida no caldeirão, em bastante água com sal.No domingo, pela manhã, começava a preparação do molho. Na panela, além dos temperos, um bom pedaço de carne, ou algumas bracholas (bife a rolê), ou várias porpetas (almôndegas). Junto com a carne, sempre uma linguiça ou paio. Liquidificador era artigo de luxo: o tomate graúdo e madurinho, comprado na feira, era fervido com louro, cebola, alho e um talo de aipo. Depois, passado na peneira. Sobrava um caldo vermelho e aromático. O caldo era acrescentado à carne, que estava fritando na panela, e posto para ferver em fogo baixo por umas boas horas. Não havia pressa, era assim que a macarronada dos domingos era preparada. Na maioria das vezes, o talharim. De vez em quando um ravióli, um canelone ou uma lasanha. Era dia de festa!!! Outra novidade era quando a nonna abria a massa com o rolo e, com o auxílio de uns ferrinhos, fazia o fusilli, uma espécie de espaguete com um furinho no meio. A criançada adorava!!! Assim como também adorava as massas industrializadas vendidas no empório. O caldo das noites frias de inverno com o macarrão de letrinhas, a sopa de feijão com o macarrão chumbinho, a minestra com o macarrão gravatinha e os pratos feitos com aletria.

MUDAM OS HÁBITOS Com o tempo, fazer macarrão em casa tornou-se um hábito esquecido. A vida moderna cobrava rapidez e praticidade. Por isso as massas prontas, inclusive o macarrão instantâneo, começaram a ganhar popularidade. Felizmente alguns fabricantes perceberam que, mesmo com as excelentes massas industrializadas, as pessoas sentiam saudades das massas frescas feitas pelas nonnas. E as novas gerações queriam provar as delícias de que ouviam falar. E por isso os talharins, raviólis, rondellis, canelones e outras delícias foramvoltando, sendo oferecidas pelos supermercados. E com a vantagem de unirem num só produto sabor e praticidade, sendo fáceis e rápidas de serem preparadas em casa. E é assim que a tradição das nonnas chega hoje às nossas casas de um jeito diferente: pronta para ser guardada na geladeira, à espera do momento certo. Ter sempre uma massa fresca por perto é ter a solução para o imprevisto do dia a dia — aquela visita de última hora, o dia corrido em que ninguém teve tempo de cozinhar, ou simplesmente a vontade de fugir do arroz com feijão de sempre. Em poucos minutos, ela vai da geladeira para a água fervente ou para o forno e, dali, direto para a mesa, com aquele sabor de massa artesanal que só quem já provou sabe reconhecer. E o melhor: agrada a todos. Das crianças, que se encantam com os formatos e as cores, aos adultos, que reencontram nela o gosto da infância e das refeições em família. Um talharim, um ravióli, um caneloni — cada umcarrega um pouco daquela mesa farta dos domingos, mas sem exigir a manhã inteira de preparo. Ter massa fresca na geladeira é, no fundo, manter viva a mesma essência do varal da nonna: comida feita com cuidado, pronta para reunir a família — só que agora, também, para o dia comum. E claro, para ocasiões muitos especiais !!!